domingo, 24 de fevereiro de 2008

Resumo do Livro




Neste livro, quero levantar algumas questões e investigo as relações entre o criador e a criação. Quando alguém cria um objeto, consegue imprimir em sua obra elementos que despertam o consumidor ou admirador para o seu encantamento, que se dá pela via da fascinação, do fetichismo ou do desejo.

Para uma análise mais específica destas questões, o iPhone da empresa Apple foi escolhido como objeto de pesquisa por ter se tornado recentemente um dos produtos mais desejados por uma considerável parcela da população mundial.
É possível que a equipe de criadores e desenvolvedores deste produto utilizou técnicas que, em conjunto com outros meios, possibilitaram o seu sucesso, despertando o desejo e a fascinação dos consumidores a ponto de gerar filas enormes à espera da abertura da loja da Apple em Nova York no dia do lançamento. Este fato se tornou marcante uma vez que na história de equipamentos de comunicação móvel (celulares), nenhum outro produto conseguiu gerar histeria coletiva como a que presenciamos por meio dos vários veículos de comunicação nos últimos meses. Na verdade a pergunta é: o que o iPhone tem que fascina tanto os consumidores?
Para tratar desta questão, no primeiro capítulo falarei um pouco sobre as teorias desenvolvidas por diversos autores que tratam da noção de desejo, sujeito e objeto de desejo.
Para tanto recorro à filosofia de Alain Badiou, ao sistema filosófico de Jean Baudrillard e Abraham Moles e à literatura psicanalítica acerca do desejo. Tudo isto para pensarmos a relação entre objetos e usuários na contemporaneidade.
No segundo capítulo, entrando no universo do objeto de estudo, abordo o histórico da indústria criadora do iPhone – a Apple Inc. –, mostrando resumidamente a sua trajetória e a de seus mentores, desde sua criação até os dias de hoje.
Também falo detalhadamente sobre o objeto em questão e suas características técnicas que ajudam a transformá-lo num produto de encantamento e sedução.
No terceiro capítulo do livro apresento algumas análises do iPhone sob óticas diferentes, na expectativa de encontrar fatores responsáveis pelo sucesso extraordinário do aparelho.
E por fim, na última parte, faço algumas considerações acerca da sedução e do desejo.


Uma parte do prefácio de Geraldo Martins:



A Gioconda de Camilo Belchior


Há um século Freud descobria que os sonhos são realizações de
desejo. Os sonhos, quando os homens dormem, criam objetos, imagens, vocábulos: metáforas-guias. Elas desenham uma cartografia que, quando os homens despertam, servem para criar um mundo próprio.
Partindo dos rastros do desejo e do seu objeto, Camilo Belchior percorre em sua recherche monográfica – iPhone: objeto de desejo – os efeitos que as descobertas de Freud e dos seus seguidores tiveram sobre os sujeitos na contemporaneidade.
Demarca, também com sua escrita, as possíveis relações entre os
objetos criados pela revolução tecnológica e os novos comportamentos no mundo das “máquinas de expressão”.
O autor registra com sua pesquisa que essa revolução modula os
desejos, molda as mentes, produz opinião pública criando objetos de
prazer que deixam seus usuários seduzidos pelas novas tecnologias. Ele, também, enfatiza as novas formas de gozo, imediatos e efêmeros.
A leitura deste ensaio é fundamental. Camilo relata-nos o percurso da Apple Inc e também o da evolução dos seus produtos até a criação do iPhone. Em seguida, ele faz há uma reflexão acerca do objeto tecnológico e da atividade do designer, bem como do fazer do designer na construção do espaço-tempo. O que lemos é mais que um inventário dos objetos tecnológicos; é uma análise de que estamos vivendo em um mundo de estetização generalizada e esta característica cada vez mais evidencia a relação entre estética, design e desejo.